
O dono de Corporação América fala por primeira vez de sua oferta pela Telco. Sua sociedade com os W e suas diferenças com Clarín. Assegura que não ha nada mau em que a SEC investigue a transação e diz que o Governo poderia atuar mais “drasticamente” na operação.
A emoção de haver entregado as chaves do hospital que leva o nome de seu irmão ao governador Daniel Scioli já havia desaparecido, e um momento antes de subir a seu helicóptero privado, Eduardo Eurnekian dispara com ênfase: “Que a operação está abençoada para que eu fique com Telecom Itália é uma tolice. São invenções e historias que fazem alguns proponentes. Ha interesses criados de alguns meios de comunicação que crêem que eles deveriam ficar com a telco”. É a primeira vez que o empresário fala de seu interesse por Telecom. E seu discurso sobre a oferta que fez pela parte italiana da telco argentina tinha mais sabor a tédio que a entusiasmo pelo novo desafio que poderia enfrentar com este investimento. As respostas de Eduardo Eurnekian na conversa que teve com FORTUNA surgiram a partir dos rumores que circulam no mercado acerca de que sua proposta contaria com o aval do governo de Cristina Fernández para que a sociedade de Eurnekian e Ernesto Gutiérrez Conte possa ficar com 50% de Sofora Telecomunicações, atualmente em mãos de Telecom Itália. A partir da denuncia de algum dos oferentes-entre os interessados que apresentaram propostas económicas estão Clarín, Pegasus, Román, Inversiones Condor e o fundo Genevieve–, a Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão do Mercado de Valores de Estados Unidos) iniciou uma investigação sobre o processo de venda de Telecom Itália no país y pediu informação sobre a relação entre o empresário argentino y o matrimonio presidencial. “Telecom Italia tiene suficiente poder como para decidir, por sí só, a quem quer vender sua empresa. ¿Ou você acredita que um governo pode incidir realmente neles e na decisão que tem que tomar? “Ha uma intencionalidade muito clara por parte de alguns setores que publicam certa informação”.
FORTUNA: A investigação que iniciou a SEC, ¿não complica a negociação? Parte da informação que pediram desde Estados Unidos é sobre a relação entre vocês e o matrimonio Kirchner.
EDUARDO EURNEKIAN: Quanto ao pedido da SEC, não ha nada estranho. O que eles estão pedindo não á nada especial, se não que alguém realizou uma denuncia e o que faz a SEC é simplesmente investigar, e para isso necessitam informação. Não estão fazendo outra coisa que defender o direito de todos os acionistas de Telecom. Está bem que façam isso e não afetam em nada as operações.
FORTUNA: ¿Cree que ha setores que estão tentando perjudicar-le?
EDUARDO EURNEKIAN: Todos sabem que Clarín se ha apresentado a licitação privada chamada por Telecom. O que me pergunto é: ¿com que seriedade ou idoneidade Clarín pode opinar sobre isto? Dizem que tenho a oferta mai baixa e me acusam de isso. Para isso está a telco italiana, que é a que vende.
Que sejam eles os que me digam que não e que minha oferta não lhes convence.
O grupo de que Eurnekian e Gutiérrez formam parte haveria oferecido u$s 500 milhões pela parte dos italianos, dinheiro proveniente de desinvestimento em negócios imobiliários em Armênia, venda de free shops e o aporte de Martín Garfunkel e outros investidores. Por outra parte, a oferta de Carlos Joost Newbery foi de u$s 835 milhões, mas inclui a opção de compra pela parte dos Werthein; e a do fundo Genevieve superou os u$s 900. Segundo versões próximas a negociação, os restantes estiveram entre estes máximos e a suposta oferta de Eduardo Eurnekian.
Segundo o dono de AA2000, “são muitos os interessados por Telecom Itália. A empresa fez bem, porque chamou a uma licitação privada, e eu sou sócio do senhor Werthein, e ele, a sua vez, é sócio de Telecom em Sofora.
Então, simplesmente, o que eu digo á que a meu sócio, o senhor Werthein, o faço partícipe da oferta.
¿Por que não posso fazer-lo? ¿qual é o problema disso? ¿por que não mencionam ao senhor Werthein, que também quer comprar junto comigo? ¿por que ele tem direitos e eu não os teria? Não entendo”.
Eurnekian põe ênfase a sua vontade de compra. E ainda que com um estilo mais cauto, desde o grupo Werthein deixem entrever que a possibilidade de compartir o manejo da empresa de telefonia com o titular de Corporação América não sería uma hipótese desagradável. “Os W tem uma alta estima pelo senhor Eurnekian e seu grupo. Alegra-nos que Eduardo Eurnekian já se sinta sócio em Telecom, por tanto, sócio nosso.
Temos que esperar a que se desenvolvam os acontecimentos e ver a quem vende Telecom Itália, quando a vendam. “Então aí se abrirá a nossa etapa para conversar com os adjudicatários”, assegurou um alto executivo do grupo.
Neste sentido, no mercado é conhecida a boa relação entre os empresários. E em definitiva, Adrián e Gerardo Werthein também tem que dar seu visto bom sobre o candidato que finalmente escolha Telecom Itália.
FORTUNA: ¿Por que crê que se fala tanto da suposta intervenção do Governo no processo de venda?
EDUARDO EURNEKIAN: Telecom é uma empresa importante e grande, que está em venda, mas se estão fazendo todo um problema nacional, quando é comum que uma companhia se venda a outra.
Acusa-se ao Governo de atuar e de incidir na venda. Eu, pessoalmente, houvesse querido que o Governo atuasse mais drasticamente, como ha atuado outros governos que motivam a uma companhia local a comprar quando uma empresa estrangeira quer vender. Em quanto à suposta intervenção do Governo, ha que tirar-lhe a má intencionalidade que tem esses setores e donos de grandes meios de comunicação.
Todos temos o mesmo direito a comprar e competir por Telecom.
Perto do empresário, um executivo da Corporação América, queria dar um exemplo de como deveria ser a participação mais ativa do Governo que reclama Eurnekian. “Quando Lula apóia para que Petrobras ou alguma outra grande empresa brasileira compre alguma companhia -diz -, na Argentina vemos isso com muito bons olhos.
Até dizemos que é um modelo que deveríamos seguir. Agora, quando é o governo argentino o que pressiona para que se venda uma companhia, que como este caso tem um problema com a regulação da concorrência, vemos isso como um problema. ¡Nem quero imaginar o escândalo que ocorreria se o Governo se inclina a favor de Aeroportos Argentina 2000 para que adquira uma empresa como poderia ser Telecom ou qualquer outra! Igual, neste caso, ao fim e ao cabo a que vai decidir a quem vende é Telecom Itália. Neste sentido é que Eurnekian fala de que o Governo deveria ter uma atuação mais intensa neste tipo de vendas… como Lula faz”.
GESTIÓN. Quien también habló públicamente para dar tranquilidad a los oferentes locales fue Franco Bernabé, CEO de Telecom Italia. Desde Roma aseguró que la SEC “no crea ningún problema. Recibimos la notificación de su parte de que hay una investigación en curso que se refiere sobre todo a la parte argentina de este proceso. La gestión de Telecom Argentina siempre fue caracterizada con la máxima transparencia en los comportamientos y al respecto del mercado”.
FORTUNA: O fato de que os italianos tenham que vender suas ações de maneira obrigada, ¿não faz que as negociações sejam mais difíceis?
EDUARDO EURNEKIAN: A licitação é privada, pelo que todas as empresas e empresários temos direito a participar e competir. O que põem as condições é o vendedor, que é muito diferente a uma licitação pública. Eu não obriguei a ninguém a vender.
Telecom Itália sai a venda obrigatoriamente, não porque queira se não porque Telefônica de Espanha comprou parte da telco italiana, então na Argentina uma só empresa manejaria um 100% da telefonia do país. Isso se chama monopólio e com racionalidade, o Estado argentino lhe diz: “Senhor, você não pode ficar com essas ações. Deve vender-las”. A empresa faz bem o que faz e chama a uma licitação privada, da qual participei e ofertei.
Ao largo da conversa com FORTUNA, Eduardo Eurnekian foi insistente com uma frase: “Não os obriguei a vender. Se apresentou a possibilidade e eu ofertei. Nada mais”.
Quando o helicóptero já estava a ponto de decolar, a última frase de Eduardo Eurnekian sintetizou a atualidade da negociação: “A operação pela venda das ações de Telecom Itália não está em nenhuma etapa. Estamos esperando”.

