Um dos empresários mais famosos da América Latina analisa os pilares de crescimento em relação ao futuro da Argentina.
O empreendimento como filosofia de vida
IPS: A Corporación América é líder do consórcio responsável pelo desenvolvimento do Corredor Bioceânico Central, um grande projeto que compete em tamanho com o Canal do Panamá. Como CEO da Corporación América o que o levou a se aventurar em tal empreendimento?
Eduardo Eurnekian: É importante considerar a abertura das fronteiras físicas e seu papel na otimização das conquistas feitas pelo homem nas comunicações. No caso do Corredor Central Bioceânico, levamos em conta a importância estratégica do Oceano Pacífico no marco da economia global. Este projeto, que representa um investimento inicial de US$ 3 bilhões, unirá a cidade de Lujan de Cuyo, na Argentina com Los Andes, no Chile, através de uma ferrovia de 52 quilômetros que atravessará a Cordilheira dos Andes, 2.300 metros acima do nível do mar. Depois de concluído, o corredor permitirá que os países do Mercosul (mercado comum formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) tenham acesso aos mercados da Ásia e Oceânia, como China e Austrália, bem como a costa oeste do México e dos Estados Unidos .
A implementação deste acesso representa custos e riscos menores diante dos que apresenta o clima hostil dos Andes. Atualmente, entre o Chile e a Argentina há um intercâmbio de 7,5 milhões de toneladas de mercadorias por ano, por via terrestre, passando pelo Cristo Redentor (Mendoza) trecho que permanece fechado ao tráfego dois meses por ano devido às severas condições meteorológicas. Por esta razão, o corredor deve exercer uma influência decisiva no desenvolvimento econômico e social da região. A nível regional trará grandes benefícios para uma área que representa 70% da atividade total no continente. A nível internacional será um caminho direto, seguro e de baixo consumo de energia que vai estimular a demanda e, portanto, incentivará o desenvolvimento do mercado. Com uma visão a longo prazo, estima-se que o sistema de transportes e logística vai atender a demanda inicial de 20 milhões de toneladas anuais na primeira fase (2020). Gradualmente, uma vez que esteja funcionando a extensão do segundo trem, vai atingir a capacidade máxima de transporte de 70 milhões de toneladas anuais.
IPS: A produção de biocombustível registra um crescimento sustentável porque as empresas têm se centrado na exportação. Para 2010, a Argentina teria uma demanda de 600.000 metros cúbicos de biodiesel e 250.000 metros cúbicos de etanol. Qual é o papel da Corporación América nesta área?
Eduardo Eurnekian: Fizemos um investimento de 120 milhões de dólares na construção de uma nova planta de última geração de biocombustível de Unitec Bio, a fim de alcançar uma produção anual de 240.000 toneladas de biocombustível. Atualmente, o biodiesel é enviado aos mercados estrangeiros. Os resultados já podem ser vistos já que o fornecimento está mudando a matriz energética, está se reduzindo as emissões de gases com efeito estufa. Não há dúvida de que se deve investir mais em energia limpa. Isto não só representa uma oportunidade de negócio, mas também significa uma vantagem competitiva para o futuro. Embora se afirme que a energia renovável gera um alto risco, vale a pena esperar para obter os benefícios favorecendo as futuras.gerações
IPS: A Argentina é considerada uma das capitais mundiais do vinho tinto. De fato, a região de Mendoza se tornou um dos destinos turísticos mais atraentes da América do Sul, tanto para os conhecedores de vinho quanto para os investidores. No entanto, parece que o senhor deu um passo adiante na produção de vinho criando um novo pólo vinícola em Neuquén, uma das Províncias mais austral da Argentina, com a famosa: Adega “Fin del Mundo”. Qual é a importância deste projeto?
Eduardo Eurnekian: Minha entrada na indústria do vinho foi uma decisão pessoal que surgiu quando me encontrei com Julio Viola, que havia criado um esquema pioneiro de produção de vinho na Província de Neuquén. Ele já havia entrado em contato com Michel Rolland, um dos enólogos mais famosos do mundo. Obviamente, a sua presença na Adega “Fin del Mundo” foi um fator importante, e estamos orgulhosos de contar com o apoio de um profissional altamente respeitado. O extraordinário sucesso alcançado em Neuquén foi um fator importante e nos incentiva a desenvolver empreendimentos com este tipo de desafios em outras regiões.
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